MINISTÉRIO PÚBLICO ANUNCIA CRIAÇÃO DE CANAL DE DENÚNCIAS DE VIOLÊNCIA POLICIAL NO DF
FOTOS DO SITE DO MINISTÉRIO PÚBLÍCO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS (MPDFT):
www.mpdft.mp.br
O Ministério
do Distrito Federal e Territórios (MPDF) anunciou, nessa segunda-feira, (13/10),
a criação de um canal de denúncia, contra a violência policial, aqui em Brasília
(FOTOS). O fato aconteceu, através de uma
audiência pública reunindo, a sociedade civil, especialistas e representantes
das instituições públicas e privadas. A intensão é promover, a escuta das
demandas e sugestões e aperfeiçoar mecanismos de proteção às vítimas.
Para o ouvidor do MPDFT, promotor de justiça, Flávio Milhomem, a
audiência pública marca um passo fundamental no combate a violência policial no
DF. “Nenhuma forma de violência estatal pode ser tolerada em uma sociedade em
que se pretende justa, democrática e humanizada”.
Durante a fala, ele destacou que o DF está abaixo da média
nacional, atrás de nove estados, na proporção de mortes decorrentes de
intervenções policiais frente às chamadas mortes violentas intencionais,
segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025. “Mesmo com
essa posição relativa, ainda tivemos 15 mortes por intervenção policial em
2024”, comentou.
De acordo com o ouvidor, os principais temas de atuação do canal
serão: tortura, lesão corporal, importunação sexual, abuso de autoridade,
invasão de domicílio, injúria real, injúria racial, racismo religioso, injúria
homofóbica, furto, concussão e constragentimento ilegal. “Essas práticas também
são violência policial e ferem igualmente os direitos humanos, desrespeitam a
constituição e criam um abismo de desconfiança entre a população e o Estado. É
diante desse cenário que nasce o Canal de Combate a Violência Policial, que
será um espaço de acolhimento, proteção e responsabilização, um caminho para
romper o silêncio e garantir que a palavra da vítima seja ouvida e que os fatos
sejam apurados com seriedade e imparcialidade”, frisou.
A ouvidora das mulheres do Ministério Público do Distrito
Federal e Territórios (MPDF), a promotora de justiça Mariana Nunes, avaliou que
a solução para a violência policial exige o esforço conjunto e transparente de
todas as instituições. “Ao fortalecermos nossos mecanismos de recebimentos de
denúncias, garantimos que cada voz seja ouvida e que cada caso de abuso possa
gerar uma devida resposta institucional”, disse. Ela também acrescentou que
essas denúncias serão transformadas em informações estratégicas para fomentar
políticas públicas que se traduzam em melhorias na atuação policial.
Segundo os indicadores da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos,
Cidadania e Legislação Participativa da Câmara Legislativa do DF (CLDF)
apresentados pela ouvidora das mulheres na abertura do evento, foram 52
registros de violência policial em 2024 e, até o momento, já foram registradas
75 demandas em 2025. “Houve um aumento das denúncias de abusos, abordagens
truculentas e violações de direitos. Não temos interesse em criminalizar a
corporação, mas sim de atuar como defensor da ordem jurídica e dos direitos
individuais indisponíveis”, pontuou.
O lançamento oficial do Canal de Combate à Violência Policial está previsto, para o dia 29 de outubro. A ferramenta criada pelo MPDFT irá: receber, registrar e encaminhar denúncias de abusos cometidos por agentes de segurança pública. Após o lançamento serão realizadas capacitações das equipes responsáveis, pelo atendimento, além da estruturação do fluxo de encaminhamento das denúncias.
A ABERTURA
Na abertura do evento, por vídeo, o procurador-geral de justiça do Distrito Federal, Georges Seigneur, salientou que a audiência pública é uma oportunidade de aproximação com a população a partir da escuta ativa da sociedade. “Nós do MPDFT acreditamos que o diálogo amplo e democrático é o caminho para avançarmos na consolidação de políticas públicas justas, comprometidas com a dignidade humana e com o fortalecimento do Estado Democrático de Direito. Ao reunir a sociedade civil, a comunidade acadêmica, os representantes das forças de segurança pública e especialistas em torno desse tema, consolidamos nosso objetivo que é construir, de forma colaborativa, um canal especializado de comunicação que seja eficaz, acessível e confiável”, afirmou.
O chefe de gabinete do Ministério Público do Distrito
Federal e Territórios (MPDF), procurador de justiça Nísio Tostes, destacou a
Resolução nº 309 de 2025 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O documento
estabelece que as ouvidorias devem receber, manifestações dos cidadãos e
servidores. Eles devem encaminhá-las, para as providências cabíveis, acompanhar
o andamento e publicar relatórios detalhados e transparentes sobre as ações
realizadas. “A Ouvidoria é a porta de entrada para o cidadão. No DF, nós temos
uma polícia com um nível de qualidade excepcional, mas a polícia não pode ser
distante do povo e da população”, pontuou.
O MEMBRO DO
CNMP
O Membro auxiliar dodo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e promotor de justiça do Ministério Público do Acre (MPAC), Vinicius Menandro destacou a necessidade de construir estratégias conjuntas com a sociedade e os demais órgãos. “Temos que realmente apurar e, se for necessário, punir esses desvios de conduta dos maus profissionais das forças de segurança que acabam se exasperando nas atuações e cometendo crimes”, enfatizou.
Presente no evento, o chefe do Estado-Maior da Polícia Militar do
DF (PMDF), coronel Rômulo Palhares, avaliou que “a corporação da PMDF reconhece
na audiência uma extrema relevância, que é justamente permitir que a comunidade
apresente a visão da segurança pública”. Ele pontuou ainda que a corporação
está aberta ao diálogo. “A PMDF está comprometida com a defesa da sociedade
brasiliense e com a defesa dos direitos humanos”, frisou.
A juíza titular da Auditoria Militar do DF, Catarina Correa,
avaliou que a criação de um canal de denúncias de violência policial trata da
responsabilidade democrática de reconhecer o sofrimento humano que nasce do
abuso de poder. “A escuta é o primeiro gesto de justiça e é disso que se trata
esse canal, de oferecer um espaço seguro e acolhedor para que as pessoas possam
ser ouvidas sem medo de represálias, revitimização e burocracia desumanizante.
Esse canal une tecnologia, empatia e responsabilidade e que vai transformar
denúncias em dados, dados em compreensão e compreensão em políticas concretas
de prevenção e reparação”.
A juíza titular da Auditoria Militar do DF, Catarina Correa,
avaliou que a criação de um canal de denúncias de violência policial trata da
responsabilidade democrática de reconhecer o sofrimento humano que nasce do
abuso de poder. “A escuta é o primeiro gesto de justiça e é disso que se trata
esse canal, de oferecer um espaço seguro e acolhedor para que as pessoas possam
ser ouvidas sem medo de represálias, revitimização e burocracia desumanizante.
Esse canal une tecnologia, empatia e responsabilidade e que vai transformar
denúncias em dados, dados em compreensão e compreensão em políticas concretas
de prevenção e reparação”, salientou.
A PROMOTORIA
A promotora de justiça Lia Siqueira enfatizou que “a violência
policial não é apenas uma questão de desvio individual, ela corrói a confiança
da população nas instituições de segurança, prejudica o trabalho de todos os
profissionais que atuam com correção e compromete a própria eficácia do sistema
de justiça criminal”. Ela comentou ainda sobre o afastamento da população das
forças de segurança devido a violência institucional. “Essa forma de violência
é extremamente perversa porque compromete a própria eficácia do sistema de
segurança pública. Uma polícia que não tem a confiança da população não recebe
informações, não consegue cooperação, não é chamada a tempo para prevenir
tragédias. O mau atendimento não é apenas um problema ético, é um problema
estratégico da segurança pública. O atendimento humanizado e respeitoso é um
dever constitucional”, frisou.
O promotor de justiça, Antônio Suxberger salientou que “essa
audiência pública se apresenta como uma assunção de responsabilidade que o
MPDFT faz de aprimorar o seu fluxo interno e o seu dever de responsabilização,
e assim cumprir aquilo que se espera de uma instituição de controle”.
A última parte da audiência foi dedicada às manifestações do
público. Onze pessoas se inscreveram para falar e apresentaram relatos
diversos, que reforçaram a importância da criação de um canal especializado
para o recebimento de denúncias de violência policial. Também foi registrada
preocupação quanto à condução das investigações, com destaque para a
necessidade de que os policiais envolvidos sejam igualmente acolhidos e
ouvidos, de forma a garantir um processo justo, equilibrado e transparente.
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