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quinta-feira, 12 de novembro de 2020


11 DE NOVEMBRO: DIA QUE MÁRIO EUGÊNIO O GOGÓ DAS SETE FOI CALADO A BALA COVARDEMENTE E IMPIEDOSAMENTE PELA MÁFIA DA POLÍCIA DE BRASÍLIA

 (EU ESTOU PUBLICANDO ESSA MATÉRIA HOJE, PORQUE ONTEM, EU NÃO CONSEGUI ACABAR DE ESCREVER) 


FOTOS DO MEU ARQUIVO JORNALÍSTICO E PESSOAL.

  Quarta – feira, 11 de novembro de 2020, uma data em que lamentavelmente, aqui em Brasília lembra-se e recorda-se, os 36 anos do extermínio do repórter policial, Mário Eugênio (FOTOS) 31 anos do jornal Correio Braziliense e da extinta Rádio Planalto AM 890 khz. O comunicador comandava nessa emissora, um programa policial líder em audiência chamado Gogó das Sete e que era também, o seu apelido. É importante lembrar, que o Brasil era governado, por uma Ditadura Militar, os “Anos de Chumbo”, pelo coronel e presidente e general, João Batista Figueiredo. Aqui   predominava-se, uma Censura Rigorosíssima, a “Lei da Amordaça”. Mário Eugênio era pioneiro, na atuação do Jornalismo Investigativo da Capital da República. Ele descobriu e denunciou, um Esquadrão da Morte ou “Esquadrão da Escopeta” dentro da Polícia de Brasília. A máfia era chefiado, pelo Secretário de Segurança Pública e coronel do Exército, Lauro Rieth e o diretor geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o delegado Ary Sardella.    

    O Marão estava preste, a desmascarar, todo aquele esquema macabro, ele chegou até fazer, um certo balanço resumido, toda história daquela carnificina. O coronel Lauro Rieth, a alta cúpula da polícia de Brasília irritou-se e mandaram fuzilá-lo covardemente na porta da Rádio Planalto AM, no Setor de Rádio e Televisão Sul, na Asa Sul no Centro de Brasília. A partir daí iniciou-se, um processo de investigação, que de certa forma acabou dando em nada e puniu, só os assassinos. O Ministério Público em si, não conseguiu provar, que o alto escalão da Segurança Pública era o mentor do extermínio do Gogó das Sete.  

          De certa forma, o Mário Eugênio foi o pioneiro, a atuar no Jornalismo Investigativo (Reportagem Policial) e abriu, um caminho para que futuramente houvesse, vários sucessores seus no Brasil inteiro. Sem modéstia, eu sinceramente confesso que sou um desses discípulos, me orgulho muito disso e só lamento profundamente, não ter conhecido pessoalmente. Mas hoje a tarde, em uma breve entrevista, por telefone, eu conversei com um dos seus companheiros, o jornalista carioca, Roberto Cavalcanti, o “Perdigueiro”. “Eu trabalhei durante muito tempo, com o Mário Eugênio no Correio Braziliense, eu cobria esportes e ele polícia. Futuramente, eu e o Valter Lima, nos aliamos, a ele e nós três passamos a dominar, a reportagem policial em Brasília”.

          O Perdigueiro contou mais detalhes, sobre o Gogó das Sete, para o Justiceiro Destemido. “Heron Luiz, o Mário Eugênio, não era uma pessoa má, pelo contrário, ele era um bom companheiro, apesar de ser meio temperamental”. Cavalcanti acrescentou em seguida, “a fama dominou o Marão, o sucesso subiu na cabeça dele e ele não ouviu mais ninguém”. O meu amigo Robertão concluiu, “Heron Luiz, se o Mário Eugênio tivesse parado e ouvido, os conselhos dos amigos dele, quando nós tentamos alertá-lo do perigo que corria, talvez ele estivesse vivo, até hoje”.  

          Um outro jornalista do Correio Braziliense e companheiro de Mário Eugênio, meu amigo também, Roberto Sávio, o Beto 54 anos, também deixou aqui, a sua opinião sobre o Gogó das Sete.  “Eu tinha ente 17 e 18 anos, quando eu trabalhava, como editor de rádio na Rádio Planalto AM junto com o Francisco Resende, o Chiquinho e tenho orgulho disso”. Roberto Sávio revelou ao Justiceiro Destemido, o seu carinho e zelo ao seu saudoso amigo, o Marão. “Eu admirava muito o Mário, ele era uma pessoa humilde, bastante simples e também retraído. Um cara tímido, apesar de ser agressivo jornalisticamente, nós fazíamos as festas e ele sempre ficava em um cantinho. O Mário Eugênio ficava, meio que sozinho, ele não se envolvia muito, devido a sua timidez”. O Beto acrescentou ainda, “ele era um cara de um coração muito grande e era reconhecido, por isso, entre os colegas jornalistas”.

          O repórter Beto Savio continuou descrevendo, o saudoso companheiro. “eu tenho orgulho de ter trabalhado, com ele na Rádio Planalto juntamente, com Chiquinho”. O comunicador concluiu, “eu era editor na emissora e editava: o Honório Dantas, o Pepe Legal, o Wilson que fazia jornalismo e entre outros que trabalharam na Rádio Planalto juntamente com Mário Eugênio”.  

          Outra pessoa que sempre recorda, o saudoso e Gogó das Sete da Rádio Planalto e do jornal Correio Braziliense é o poeta cordelista, professor e presidente da Academia Taguatinguense de Letras do Distrito Federal (ATL/DF), Gustavo Dourado, vulgo Amargedom. “Eu convivi muito com o Mário Eugênio, nos bailes e festas de Brasília, principalmente no hoje extinto, Clube Primavera de Taguatinga Sul”. O mestre acrescentou, “ele era uma pessoa boa, bacana e é uma pena que ele morreu tão jovem”. Dourado concluiu recitando, o seu cordel que ele escreveu, em homenagem ao Marão:

          _  “   MÁRIO EUGÊNIO

                                       Gustavo Dourado

 

          Há 36 anos no DF

          Mário Eugênio faleceu

          Bárbaro assassinato

          Brasília estremeceu

          No tempo da ditadura

          O medo prevaleceu

         

          Foi baleado e morto

          No centro da capital

          No coração de Brasília

          Nossa capital federal

          Foi um crime hediondo

          De criminosos do mal

         

          Foi um crime planejado

          Pelos agentes do mal

          Crime contra a imprensa

          Para calar rádio e jornal

          O Brasil sob censura

          Sem diretas no quintal

 

          A luta era ferrenha

          Contra a vil opressão

          Corrupção e desemprego

          Reinava a corrupção

          Mário Eugênio foi calado

          Crime contra expressão

 

          Sua voz sempre ecoa

          O seu brado foi ouvido

          Mário Eugênio presente

          Visto, lido e ouvido

          É um nome de destaque

          Jamais será esquecido”...

 

          Como eu já disse várias vezes, inclusive no meu livro, “Mário Eugênio, o Gogó das Sete”, a minha admiração por ele começou, no período de 1979 e 1980 ainda na infância. Na época, a minha mãe, dona Maria Conceição e a minha avó materna, dona Marcolina Ferreira sintonizavam, o rádio na Planalto AM pra ouvirem, o Marão, às 07h da manhã, de segunda à sábado.  Eu escutei o programa uma vez, a partir daí, eu virei, um ouvinte assíduo e sonhei, em um dia me formar em Jornalismo. Nasceu em mim, a esperança de um dia, eu vi a fazer, uma amizade com Mário Eugênio e trabalhar com ele, em uma parceira na reportagem policial do Correio Braziliense e da Rádio Planalto AM. Na verdade, na minha fantasia, nós seriamos, uma equipe de quatro repórteres policiais aqui em Brasília: o Mário Eugênio, eu, o Roberto Cavalcanti e o Valter Lima.

          Mas de certa forma, esse meu sonho foi assassinado, com os mesmos sete tiros da espingarda Escopeta calibre 12 e da pistola Magnum 357, que exterminaram, o Mário Eugênio covardemente e impiedosamente. Desde então, eu reconstruí, o meu desejo de me aliar ao Gogó das Sete, nasceu em mim, à ideia de substitui-lo e dar continuidade ao seu trabalho brilhante. Além de um fã numero 01, hoje, eu sou o seu discípulo, me orgulho disso e agradeço a Deus, por ter conhecido indiretamente, o Mário Eugênio, o Gogó das Sete. Há mais de 10 anos, eu tenho o hábito de em novembro, de ir ao seu túmulo no Cemitério Campo da Esperança, no Plano Piloto, no centro de Brasília. Eu também encomendo missas, em intensão da sua alma, lá na minha igreja, a Paróquia São Pedro de Taguatinga Sul e o meu pároco, o padre Moacir Anastácio celebra.   

          Mas nesse ano de 2020, para mim ficou difícil realizar, todas essas homenagens tradicionais ao Mário Eugênio, devido o isolamento causado, pela pandemia do Coronavirus o Couvid 19. Por isso, eu fiz essa mega matéria sobre o Gogó das Sete da Rádio Planalto AM e do jornal Correio Braziliense. Todas essas entrevistas foram feitas por mim mesmo,  via telefone e whatisap. Eu agradeço, a todas as pessoas que entrevistei e que me ajudaram, a realizar mais uma vez, esse meu trabalho. Ao querido Marão, o meu tributo a ele, saudoso, sincero, verdadeiro e que o Gogó das Sete descanse, em paz, lá no céu.

2 comentários:

  1. Belíssima matéria... parabéns pelas entrevistas e pela riqueza de detalhes... maravilhoso rememorar parte da história de Brasília, que entre outras coisas marcou época com qualidade e me fez recordar com nostalgia e saudade meu tempo de escola... excepcional... adorei

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  2. Obrigado amigo! Por favor divulgue, o meu blog nas suas redes sociais. Ok? Fique com Deus e um abraco...

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