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DE NOVEMBRO: DIA QUE MÁRIO EUGÊNIO O GOGÓ DAS SETE FOI CALADO A BALA
COVARDEMENTE E IMPIEDOSAMENTE PELA MÁFIA DA POLÍCIA DE BRASÍLIA
(EU ESTOU PUBLICANDO ESSA MATÉRIA HOJE, PORQUE
ONTEM, EU NÃO CONSEGUI ACABAR DE ESCREVER)
FOTOS
DO MEU ARQUIVO JORNALÍSTICO E PESSOAL.
Quarta – feira, 11 de novembro de 2020, uma data em que lamentavelmente, aqui em Brasília lembra-se e recorda-se, os 36 anos do extermínio do repórter policial, Mário Eugênio (FOTOS) 31 anos do jornal Correio Braziliense e da extinta Rádio Planalto AM 890 khz. O comunicador comandava nessa emissora, um programa policial líder em audiência chamado Gogó das Sete e que era também, o seu apelido. É importante lembrar, que o Brasil era governado, por uma Ditadura Militar, os “Anos de Chumbo”, pelo coronel e presidente e general, João Batista Figueiredo. Aqui predominava-se, uma Censura Rigorosíssima, a “Lei da Amordaça”. Mário Eugênio era pioneiro, na atuação do Jornalismo Investigativo da Capital da República. Ele descobriu e denunciou, um Esquadrão da Morte ou “Esquadrão da Escopeta” dentro da Polícia de Brasília. A máfia era chefiado, pelo Secretário de Segurança Pública e coronel do Exército, Lauro Rieth e o diretor geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o delegado Ary Sardella.
O Marão estava preste, a desmascarar, todo aquele esquema macabro, ele chegou até fazer, um certo balanço resumido, toda história daquela carnificina. O coronel Lauro Rieth, a alta cúpula da polícia de Brasília irritou-se e mandaram fuzilá-lo covardemente na porta da Rádio Planalto AM, no Setor de Rádio e Televisão Sul, na Asa Sul no Centro de Brasília. A partir daí iniciou-se, um processo de investigação, que de certa forma acabou dando em nada e puniu, só os assassinos. O Ministério Público em si, não conseguiu provar, que o alto escalão da Segurança Pública era o mentor do extermínio do Gogó das Sete.
De certa forma, o Mário Eugênio foi o pioneiro, a atuar no
Jornalismo Investigativo (Reportagem Policial) e abriu, um caminho para que
futuramente houvesse, vários sucessores seus no Brasil inteiro. Sem modéstia,
eu sinceramente confesso que sou um desses discípulos, me orgulho muito disso e
só lamento profundamente, não ter conhecido pessoalmente. Mas hoje a tarde, em
uma breve entrevista, por telefone, eu conversei com um dos seus companheiros,
o jornalista carioca, Roberto Cavalcanti, o “Perdigueiro”. “Eu trabalhei
durante muito tempo, com o Mário Eugênio no Correio Braziliense, eu cobria
esportes e ele polícia. Futuramente, eu e o Valter Lima, nos aliamos, a ele e
nós três passamos a dominar, a reportagem policial em Brasília”.
O Perdigueiro contou mais detalhes, sobre o Gogó das Sete,
para o Justiceiro Destemido. “Heron Luiz, o Mário Eugênio, não era uma pessoa
má, pelo contrário, ele era um bom companheiro, apesar de ser meio
temperamental”. Cavalcanti acrescentou em seguida, “a fama dominou o Marão, o
sucesso subiu na cabeça dele e ele não ouviu mais ninguém”. O meu amigo
Robertão concluiu, “Heron Luiz, se o Mário Eugênio tivesse parado e ouvido, os conselhos
dos amigos dele, quando nós tentamos alertá-lo do perigo que corria, talvez ele
estivesse vivo, até hoje”.
Um outro jornalista do Correio Braziliense e companheiro de
Mário Eugênio, meu amigo também, Roberto Sávio, o Beto 54 anos, também deixou aqui,
a sua opinião sobre o Gogó das Sete. “Eu
tinha ente 17 e 18 anos, quando eu trabalhava, como editor de rádio na Rádio
Planalto AM junto com o Francisco Resende, o Chiquinho e tenho orgulho disso”.
Roberto Sávio revelou ao Justiceiro Destemido, o seu carinho e zelo ao seu
saudoso amigo, o Marão. “Eu admirava muito o Mário, ele era uma pessoa humilde,
bastante simples e também retraído. Um cara tímido, apesar de ser agressivo jornalisticamente,
nós fazíamos as festas e ele sempre ficava em um cantinho. O Mário Eugênio
ficava, meio que sozinho, ele não se envolvia muito, devido a sua timidez”. O Beto
acrescentou ainda, “ele era um cara de um coração muito grande e era
reconhecido, por isso, entre os colegas jornalistas”.
O repórter Beto Savio continuou descrevendo, o saudoso
companheiro. “eu tenho orgulho de ter trabalhado, com ele na Rádio Planalto
juntamente, com Chiquinho”. O comunicador concluiu, “eu era editor na emissora
e editava: o Honório Dantas, o Pepe Legal, o Wilson que fazia jornalismo e
entre outros que trabalharam na Rádio Planalto juntamente com Mário Eugênio”.
Outra pessoa que sempre recorda, o
saudoso e Gogó das Sete da Rádio Planalto e do jornal Correio Braziliense é o
poeta cordelista, professor e presidente da Academia Taguatinguense de Letras
do Distrito Federal (ATL/DF), Gustavo Dourado, vulgo Amargedom. “Eu convivi
muito com o Mário Eugênio, nos bailes e festas de Brasília, principalmente no
hoje extinto, Clube Primavera de Taguatinga Sul”. O mestre acrescentou, “ele
era uma pessoa boa, bacana e é uma pena que ele morreu tão jovem”. Dourado concluiu
recitando, o seu cordel que ele escreveu, em homenagem ao Marão:
_
“ MÁRIO EUGÊNIO
Gustavo
Dourado
Há 36 anos no DF
Mário Eugênio faleceu
Bárbaro assassinato
Brasília estremeceu
No tempo da ditadura
O medo prevaleceu
Foi baleado e morto
No centro da capital
No coração de Brasília
Nossa capital federal
Foi um crime hediondo
De criminosos do mal
Foi um crime planejado
Pelos agentes do mal
Crime contra a imprensa
Para calar rádio e jornal
O Brasil sob censura
Sem diretas no quintal
A luta era ferrenha
Contra a vil opressão
Corrupção e desemprego
Reinava a corrupção
Mário Eugênio foi calado
Crime contra expressão
Sua voz sempre ecoa
O seu brado foi ouvido
Mário Eugênio presente
Visto, lido e ouvido
É um nome de destaque
Jamais será esquecido”...
Como eu já disse várias vezes,
inclusive no meu livro, “Mário Eugênio, o Gogó das Sete”, a minha admiração por
ele começou, no período de 1979 e 1980 ainda na infância. Na época, a minha
mãe, dona Maria Conceição e a minha avó
materna, dona Marcolina Ferreira sintonizavam, o rádio na Planalto AM pra
ouvirem, o Marão, às 07h da manhã, de segunda à sábado. Eu escutei o programa uma vez, a partir daí,
eu virei, um ouvinte assíduo e sonhei, em um dia me formar em Jornalismo. Nasceu
em mim, a esperança de um dia, eu vi a fazer, uma amizade com Mário Eugênio e
trabalhar com ele, em uma parceira na reportagem policial do Correio
Braziliense e da Rádio Planalto AM. Na verdade, na minha fantasia, nós
seriamos, uma equipe de quatro repórteres policiais aqui em Brasília: o Mário
Eugênio, eu, o Roberto Cavalcanti e o Valter Lima.
Mas de certa forma, esse meu sonho foi
assassinado, com os mesmos sete tiros da espingarda Escopeta calibre 12 e da
pistola Magnum 357, que exterminaram, o Mário Eugênio covardemente e
impiedosamente. Desde então, eu reconstruí, o meu desejo de me aliar ao Gogó
das Sete, nasceu em mim, à ideia de substitui-lo e dar continuidade ao seu
trabalho brilhante. Além de um fã numero 01, hoje, eu sou o seu discípulo, me
orgulho disso e agradeço a Deus, por ter conhecido indiretamente, o Mário
Eugênio, o Gogó das Sete. Há mais de 10 anos, eu tenho o hábito de em novembro,
de ir ao seu túmulo no Cemitério Campo da Esperança, no Plano Piloto, no centro
de Brasília. Eu também encomendo missas, em intensão da sua alma, lá na minha
igreja, a Paróquia São Pedro de Taguatinga Sul e o meu pároco, o padre Moacir
Anastácio celebra.


Belíssima matéria... parabéns pelas entrevistas e pela riqueza de detalhes... maravilhoso rememorar parte da história de Brasília, que entre outras coisas marcou época com qualidade e me fez recordar com nostalgia e saudade meu tempo de escola... excepcional... adorei
ResponderExcluirObrigado amigo! Por favor divulgue, o meu blog nas suas redes sociais. Ok? Fique com Deus e um abraco...
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